11 de jul. de 2011

Corre, Giovanna Antonelli, corre!

“É piração cobrar boa forma logo após o parto”. Esta era a chamada de capa de uma revista de celebridades com a atriz global Giovanna Antonelli, que há menos de um ano deu à luz gêmeas e já é mãe de um garoto de 6 anos. Num primeiro momento, meu reflexo foi concordar com ela. De fato, para a maioria das mulheres é muito difícil voltar à “boa forma” logo depois da gravidez. E é isso mesmo. Depois, em casa, refletindo sobre a cena como um todo – a frase na capa da revista na banca – pensei sobre como as aspas soam engraçadas naquele contexto.

Parece que no Brasil uma mulher que use manequim 42 é gorda. Se for 44 então, obesa, tipo baleia-orca-assassina. Se você não tem o peso entre os 50 e poucos que as ‘musas’ das revistas juram que têm, corra pra esteira (corra mais ainda NA esteira!). E por mais que você se sinta bonita, desejada e, principalmente, feliz, fora dos “padrões” de beleza, algumas situações fazem o desserviço de despencar sua autoestima para o dedinho do pé.

Folhear revistas de celebridades na manicure pode ser uma delas. Você tá lá, linda e feliz fazendo a unha no salão pra ficar mais jeitosa, e cai na besteira de pedir a ‘revista da semana’ para saber das novidades. Aí você começa a ver fotos de mulheres magérrimas, lindas (e loiras, muitas vezes), e vai se afundando na cadeira. Aí, lê uma delas dizendo que mantém a ‘ótima’ forma de 52 quilos com dieta e malhação e pensa que não chega nesse peso nem se passar um ano a pão e água – ou só água mesmo. Um momento que deveria ser de relax e alegria, vira um martírio, e apesar de você deixar o recinto com as patinhas da cor da moda, vai pra casa pensando que é gorda e tem que emagrecer – e só.

Aí você engravida, tem filho e vê celebridades que em dois meses após o parto estão lindas (lê-se magérrimas). E o que a mídia faz? As coloca em capas de revistas e matérias de TV como grandes ‘exemplos’. Esfregam as fotos no seu nariz e você se sente, no mínimo, incompetente. Ninguém fala de verdade o quanto é difícil pra cacete perder peso, ainda mais quando se tem um bebê em casa (e a vida fica ainda mais corrida). Ninguém esclarece que essas “divas” têm uma baita estrutura que as permite fazer uma, duas horas de academia por dia (com personal, claro!), enquanto a babá olha o filho, a empregada arruma a casa, a cozinheira faz a comida light e o empresário fecha novos contratos. E, pior, se uma beldade está na casa dos 60 quilos, ou um pouco acima, suas fotos têm como chamadas “fulana aparece com quilinhos a mais”. 

Mamãe-gordinha: a calça não fecha, mas o coração transborda! 

Não estou dizendo que eu gosto de estar acima do peso. Não gosto, mesmo. Quando voltei a trabalhar e passei a deixar a Nina em berçário, aproveitei um tempinho livre e ralei muito para queimar gordura. Ainda estou ralando. Mas é porque quero me sentir bem. Quero vestir uma roupa e me sentir confortável. Quero ter saúde pra levar minha filha no parque e rolar com ela na grama. Ter força nos braços para carregá-la no colo, músculos das coxas que aguentem colocá-la na cadeirinha da bicicleta. E, claro, quero me sentir bonita e atraente (não dá pra virar mãe e esquecer de mim, mas isso não significa que eu tenha que pesar menos que um número pré- determinado de quilos ou usar um número específico de jeans).

Então, Giovanna, sua linda! (eu acho você linda, mesmo!), fica engraçado ler o seu ‘desabafo’ na capa de uma revista que só vende justamente porque é recheada de mulheres magras e belas. Fiquei aliviada quando percebi que você, estrela top, também sofre para ‘voltar ao normal’ após ter filho. Te agradeço profundamente pela declaração, e espero que isso ajude a mudar a cabeça das leitoras, e quem sabe a cabeça dos editores de publicações, e quem sabe a cabeça do mundo da moda... e por aí vai. Efeito dominó, sabe? Que não falte saúde pra você cuidar das suas filhotas e seu filho, nem pique pra você continuar correndo pelas orlas cariocas. Corra, Giovanna, corra! De casa espero te ver mais redondinha na TV, servindo de exemplo para muitas telespectadoras!  

8 de jul. de 2011

A noite em que minha mãe surtou

Se a Nina falasse, com certeza teria dito isso esta semana. Sério, surtei. Se alguém que lê este post tem a receita para não se descabelar diante de noites muuuito mal dormidas e falta de rotina, me passe. Estou de caneta na mão para anotar t-u-d-i-n-h-o. Já nem uso mais a palavra cansada. Comigo é só “exausta”. Me faz lembrar do meu terapeuta. Carinhosamente ele me chamava de Fernanda Montenegro, quando se referia aos meus talentos “artísticos” (leia-se aqui minha capacidade ‘dramática’ de exagerar nas coisas/situações/sentimentos). “Exausta” pode até ter a ver com esse lado, mas não deixa de ser verdade.

Eu sei que as coisas se acertam, que a neném vai crescer e tudo vai melhorar (na verdade, serão outras demandas...). Sei também que ser mãe é a coisa mais maravilhosa que pode acontecer a uma mulher (é clichê, mas é verdade). Mas duas coisas não devem mudar tão já na minha vida: o fato do pai dela viajar muito e não ter horário pra nada, e a falta de ter alguém pertinho de casa, pra me ajudar com as demandas do dia a dia. 

Ninoca bombando com a blusa que a tia Tatu trouxe do Peru!
Tenho muitas amigas queridas que sempre se oferecem pra dar um help (adoro todas!) e duas cunhadas (Mi e Lu) que também super estão a fim de dar uma mãozinha, ou mesmo minha mãe, que numa necessidade já aprendeu a descer do Cometa na ponte do Piqueri e seguir de táxi pra minha casa (ó, que descolada!). Agradeço de coração o apoio de todas elas. Mas, sinto falta de ter alguém pra dar uma olhadinha enquanto tomo um banho decente (leia-se lavar o cabelo), ou tenho que ir ao supermercado. Na hora em que gostaria de ter a liberdade de ir ao banheiro (fazer a unha então, virou luxo!). 

Antes de atirar a sua pedra (sim, sei que muita gente pode achar que estou reclamando de barriga cheia), pense que quando digo não ter ninguém perto, é exatamente isso: a não ser que eu pague uma babá pra dormir em casa – o que está fora do meu orçamento – dependo só de mim. (Justiça seja feita: o André é um mega pai, suuuuper ajuda, é uma graça. O problema é que não está em casa sempre...).

E aí, surtei: passei todas as madrugadas desta semana em claro por causa do nariz entupido da Nina (e desde quarta, o André viajando...). Tadinha, ela chorando sem respirar e eu chorando de sono e cansaço. Enfim, entre tantas outras coisas que permeiam o momento que estou vivendo – este post rende assunto até, né, minha gente?, sinto que só mesmo tendo fé para seguir sem cortar os pulsos (bom, aqui é sentido figurado). Me apoio na graciosidade da minha pequena e nos incontáveis sorrisos banguelas (maravilhosos, por sinal) para respirar e pensar: vai dar certo. Sim, vai dar certo. Na verdade, já está dando. E, no fim, a Nina terá um belo roteiro de Almodóvar pra contar...

30 de jun. de 2011

Bisfenol-A com os dias contados

Quem tem filho pequeno (ou convive com o universo infantil) já deve ter visto produtos que trazem o selo "livre de BPA"ou "BPA Free". São mamadeiras e chupetas que não contém Bisfenol-A, uma substância química usada na fabricação de diferentes plásticos (e no interior de latas de bebidas). O problema é que, após vários estudos pelo mundo, ficou comprovado que o BPA pode causar diversas doenças, desde puberdade precoce até mesmo câncer. A coisa é tão séria que o uso da substância já é proibida em muitos países, como Canadá, China, Malásia e Costa Rica, além da Comunidade Europeia e em 11 Estados norte-americanos.

Aqui no Brasil, até então, o uso do BPA é liberado e os produtos que não contém a substância são, em geral, mais caros que os que possuem - coisa do tipo: se você não tem dinheiro para pagar mais, corre o risco de morrer de câncer ou como se as empresas que não usam BPA merecessem ser "premiadas" pelo preço maior.

Enfim... o fato é que, a querida cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo, deu o primeiro passo para mudar esse cenário tupiniquim. A cidade da pamonha é o primeiro município brasileiro a proibir a venda de mamadeiras, chupetas, alimentos e bebidas que contenham Bisfenol-A. A lei municipal já foi aprovada na Câmara e deve ser sancionada pelo prefeito nos próximos dias.


Eu li essa notícia na seção de Equilíbrio e Saúde da Folha.com e fiquei ainda mais animada com o último parágrafo do texto: "Em âmbito nacional também está em tramitação na Câmara dos Deputados um projeto de lei do deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) que proíbe o uso do bisfenol-A em mamadeiras e produtos destinados ao consumo em todo o território nacional". Ou seja, as mamadeiras & afins de plástico sem BPA devem virar um padrão nas prateleiras, e não excessão ou artigo de luxo.  

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