10 de fev. de 2012

O fraldário nosso de cada dia

Engraçado como tem muita coisa que a gente simplesmente nem percebe que existe  (ou não dá o devido valor) quando não é mãe. Eu diria que fraldário está na lista dos assuntos mais importantes deste universo tão particular da maternidade.  Se eu tivesse que avaliar os lugares por aí, só ganhariam 5 estrelas no meu 'guia materno de sobrevivência' os que oferecem fraldários decentes. Claro que a prática nos leva à perfeição e ninguém morre se não tiver um fraldário por perto – conhece a habilidade de trocar fralda com número 2 em pé?... #quemnunca - mas que ajuda, ajuda!!!

Pra 'começar do começo': pais também trocam fraldas. Pode até não ser o mais comum e usual (ainda tem homem que acha que só a mãe tem que cuidar do filho), mas tá assim ó de pai-homem-moderno-participativo-as-mães-agradecem. Tem também aquelas situações em que o pai saiu sozinho com a cria,  pais solteiros, viúvos, gays... enfim, tudo isso pra deixar claro: fraldário NÃO PODE estar vinculado só ao banheiro feminino.

Também não dá pra colocar o bebê em qualquer superfície reta e dizer que é um fraldário. Não sei se todo mundo sabe, mas bebês têm vida própria. Eles se mexem, são curiosos, querem ver o mundo ao redor... então o fraldário tem que ter o mínimo de segurança para que, durante a maravilhosa tarefa de trocar a fralda, a gente não tenha que ser preocupar se a criaturinha vai cair/bater a cabeça/enfiar a mão na tomada...

Bom, mas eis que semana passada a Nina estava febril, só querendo colo. Foram 4 dias batendo os 39,6º C, vivendo a base de antitérmico. No domingo, como ela acordou um pouco melhor, fui  ao shopping Bourbon, na zona oeste, almoçar e passar no supermercado. Depois de tomar antitérmico ali mesmo (sim, a febre voltou fortíssima durante o passeio), ela melhorou, saiu do colo e começou a fazer zueira brincar.

Tudo ia bem na minha vida de família-de-paulista-que-vai-em-shopping-de-domingo.  Até que, enquanto efetuava uma compra, dei colo para a pequena. No momento em que tirava meu cartão de débito da mão da vendedora, senti algo quente na minha pele. A sensação foi literalmente escorrendo pelos meus braços, chegando às minhas pernas. Vivi segundos de desespero. Sim, era número 2 transbordando pela fralda. Uma luz começou a piscar na minha cabeça, e só pensei em correr para o fraldário.

Pra quem achou que eu tava supervalorizando "um simples local onde se troca fralda suja", entende agora a sorte de estar num lugar que oferece (bem) esse serviço? No fraldário tinha água quente, sabonete líquido infantil e, acima de tudo, uma pessoa muito solícita que quis me ajudar (além da minha mãe, que também estava no passeio). Como o coco era muito, a Renata (nunca mais esquecerei de você, minha anja!) sugeriu que eu desse um banho na Nina, na pia mesmo. Foi a sorte, pois do contrário ia ficar uma meleca maior do que já estava. Também usei a água quente pra lavar a roupinha (tirar o mais caótico, porque depois tive que higienizar lavar de novo em casa) e me limpar também. Como vocês podem ver, a Nina adorou o banho - já eu, me contentei com um paninho mesmo, acho que ficaria difícil a logística de sentar na pia, né?

Além do shopping Bourbon, quem mais conhece lugares legais com fraldário bacana? Livraria, teatro, cinema, restaurante, shopping... vamos postar outras dicas nos comentários? As mães, com certeza, agradecem!

Ninoca tomando banho de pia no shopping Bourbon-SP: tudo sempre acaba em farra, né?

1 de fev. de 2012

A culpa de ser mãe

Hoje eu acordei assim, cabisbaixa, mãos no bolso, chutando pedrinha na calçada*. Ser mãe é maravilhoso, mas também cansa. Não sei vocês, mas não fui criada para ser mãe full time - quiçá pra ser mãe. Sou daquelas que saiu de casa pra fazer faculdade, depois foi morar fora do país e achou que tinha o mundo nas mãos. Aí, quando se viu grávida, e depois, com uma bebê no colo, se desesperou. Se viu sozinha, perdida, sem saber o que fazer (mesmo tendo um namorido muito fofo ao lado).

Sempre falo: nada do que eu fiz até hoje na vida se compara à maternidade. Nada. Ser a mãe da Nina me põe à prova o tempo todo, com meus limites, minhas convicções, minha flexibilidade, meu poder de redimensionar (eu até já disse por aqui que praticamente surtei...). E sou imensamente feliz e grata por isso. Mas nem tudo são flores (aliás, de quem é essa frase?!).

Além do cansaço, tem a culpa. Por deixá-la longe, por deixar de fazer outra coisa para estar perto, por eu ser assim, por... enfim, dependendo do dia e humor, uma culpa diferente. Quase um bullying de mim comigo mesma. 

Por sorte, tenho uma pequena linda, que apesar de ser "apenas" uma bebê, parece saber como me lembrar do que vale a pena nesta vida. A cena foi tocante: enquanto eu chorava no carro, ela segurou com firmeza minhas mãos e abriu um sorriso lindo... 

"seus filhos não são seus filhos, seus filhos são filhos do mundo" (Gibran Kalil)


*by Luciana Moraes, a melhor cunhada torta que alguém poderia ter/querer na vida!

27 de jan. de 2012

O Renascimento do Parto

Não vou aqui julgar mulheres quem escolhem por uma cesariana. Cada uma sabe dos seus medos, de seus anseios, do que quer da vida. O que me entristece é ver que muitas dessas mulheres não "optam" por cesariana, mas têm a opção feita por seus médicos. Aí sim, o bicho pega.

Muitos profissionais que não querem "perder tempo" com grávidas em longos trabalhos de parto indicam cirurgia para situações em que o parto normal seria mais do que adequado. Pior que isso: não trabalham o empoderamento feminino, mas sim as fragilizam - e dar à luz, para muita gente, deixou de ser um acontecimento único e especial  (na vida de mãe e filho) pra virar estatística. Já fomos campeões no futebol, no automobilismo, mas atualmente amargamos o infeliz record de país campeão mundial em número de cesáreas. Imagine quantas foram são desnecessárias?

Enfim, a história é longa, polêmica, cheia de exceções pros dois lados. E informação e  conhecimento são mesmo o mais importante: dá embasamento para uma escolha consciente. Por isso acho que o documentário O Renascimento do Parto (trecho abaixo), de Érica de Paula e Eduardo Chauvet, deve ser divulgado. Previsto para estrear em março deste ano, é um olhar  diferente do que temos visto sobre o parto... No mais, tire suas conclusões.


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