7 de mai. de 2012

Papai, te amo!

Outro dia eu voltava da escola com a Nina no carro e disse: 
- Filha, fala mamãe. 
- Papai. 
- Ô Nina, é mamãe! 
- Papai. 
- M-a-m-ã-e!!! 
- Papai. 
Depois de mais algumas tentativas frustradas, encerrei o assunto:
-  Gata, mamãe carrega nove meses na barriga, amamenta, tá sempre junto, faz malabarismo pra cuidar de você... e o que eu eu ouço em troca? 
- Papai. 
**********

O "diálogo" não é surpresa pra mim. Sei que tem a fase em que a menina fica mesmo mais apegada ao pai ("Freud explica"), mas tem também uma questão muito fofa que acontece na minha casa: o André é um super pai. 

Já ouvi (e li nas redes) muitas mães que têm parceiros que não ajudam em nada com os filhos e que ainda acham (em pleno século XXI) que a responsabilidade de cuidar dos rebentos (e de "coisas da casa em geral") é da mulher (independente do poder aquisitivo). Pra quem como eu, que achava que isso não existia mais, foi um choque saber de reclamações do tipo "meu marido não sabe quantas fraldas o bebê usa ao longo do dia" ou "ele nunca deu um banho no nosso filho". E não me interessa saber qual a renda mensal da família: ainda que tenha grana e possa bancar babás, enfermeiras & afins, como pode um pai perder momentos preciosos do desenvolvimento de um bebê?

Tem outra questão: e se credo cruz eu morrer? Toc, toc, toc. Já falei aqui que "morro de medo de morrer" (não tô sendo pessimista, mas realista, afinal, a gente nunca sabe o dia de amanhã). Pode acontecer também um fim: casais se separam todos os dias, e aí que dó de filhos (meninos ou meninas) que simplesmente perdem o contato com o pai por não morarem mais sob o mesmo teto. Então quer dizer que a relação não era afetiva, mas meramente geográfica? (no meu caso, eu ainda nem casei pra querer separar hahaha).

Não tô aqui querendo julgar ninguém, mas penso que vínculos são criados quando existe troca, cumplicidade, amor, carinho... (aliás, quantos pais e filhos são super próximos sem nunca terem morado juntos!). Fico feliz de ver, independentemente da relação pai-mãe que nos une, que Nina tem um grande amigo.

No caso do André, ele ajudou a cuidar dos 3 (lindos) sobrinhos, filhos da tia Marcela, então já veio "de fábrica" com sabia algumas noções bem boas de troca de fralda e banho, por exemplo. Claro que apanhou muito na hora H pra cuidar da Nina, mas depois de alguns meses já está mega craque em várias outras demandas (faz, inclusive, escova nos cachos da pequena, numa farra só!). E é óbvio que a menina sente isso. É um grude com o pai, pra cima e pra baixo. Os dois vão juntos na padaria, na feira, no mercado... um barato! Semana passada já era tarde quando ela pegou meu celular e ficou chamando o papai insistentemente. Enquanto não liguei pra ele e ela pode "conversar", não sossegou - e depois parece que acalmou, pois acabou dormindo. 

E pra quem acha estranho este post bem na semana do Dia das Mães, explico: é que hoje é aniversário do papai, então resolvemos fazer uma surpresa pra ele, com esse texto cheio de gratidão e amor. Pra ele saber (ainda mais) o quanto ele é importante pra gente... <3 <3 <3

Nina e Papai ganhando o mundo na Times Square!


Obs. pras blogueiras-mães, o resto da semana é nosso! tem muita coisa rolando... já vi uns posts que vão rolar no A vida como a vida quer, vídeos bem bacanas da Mamatraca (adorei o da Glauciana!) e a programação da Rede Mulher e Mãe... #vemgente

12 de abr. de 2012

O direto ao parto natural - e o curso de Obstetrícia da USP

Vira e mexe as pessoas estão falando sobre o parto normal e a cesárea. Já falei disso aqui e aqui também. Não costumo me alongar muito, pois sinceramente não é um tema que tenho muito resolvido internamente. O fato é que, muitas vezes percebo que a questão do parto normal é complexa por "ir contra à praticidade" de uma sociedade pautada no fast food

Em 2005 a USP Leste, mais especificamente a EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades), criou o curso de Obstetrícia, que entre outras demandas, tem como objetivo formar profissionais capacitados para dar suporte para mães (e familiares) antes, durante e depois de partos, preferencialmente naturais (ninguém acha que a cesárea é uma vilã. Em muitos casos, ela salva vidas, sim. O problema é a distorção que se faz no uso da cirurgia). Com a formatura das primeiras turmas, os alunos da graduação se depararam com a dificuldade em conseguir registro profissional, como explica esta matéria do Estadão. O assunto, complexo, deu pano pra manga. Mas, desde o ano passado, o curso teve parecer favorável do Ministério Público Federal para a obtenção do registro de bacharel pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), como explica o site do próprio curso.  

Pra mim, o mais importante aqui é perceber o movimento que se faz em busca de oferecer o direito à mulher de um parto natural e digno. É perceber que parte da sociedade busca refletir sobre o que está pré-estabelecido (pela outra parte!) como sendo mais "fácil e indolor". É saber que poderemos contar com pessoas capacitadas para ajudar parturientes, inclusive em hospitais e maternidades públicos.  

Bom, tô escrevendo toda essa história pra dividir com vocês um vídeo realizado aqui pelo núcleo multimídia onde trabalho, na USP, justamente sobre o curso de Obstetrícia. Quando a aluna que narra a voz em off veio aqui no estúdio, conversei longamente com a professora Celia Regina Maganha e Melo e vi o quanto aquela graduação está empenhada na humanização do parto e no empoderamento das mulheres. Combinei que ajudaria na divulgação, pois acredito que é uma semente em direção à mudanças importantes. Quem se interessar por mais informações pode entrar em contato com a Associação de Alunos do curso de Obstetrícia.

Para assistir o vídeo do curso de Obstetríciaclique aqui.

Obs. Claro que sinto uma alegria imensa de ver minha filha linda e saudável, independentemente do jeito que tenha vindo ao mundo. Mas uma cirurgia pode deixar marcas profundas, nem sempre com cicatrizes visíveis a olho nu, num momento em que a mãe mais precisa se sentir completa e amparada para cuidar de um bebezinho! Você, assim como eu, não sabe até hoje se sua cesárea foi mesmo 'necessária'? 

9 de abr. de 2012

Dormindo com o inimigo?*

*sinceramente, não sei pra quem dar o crédito pela imagem
(quem souber me fala que eu acrescento aqui!)

Este desenho já rodou a internet e sempre faz com que casais que têm filhos se sintam representados pelas figuras. Quem nunca colocou um filho pra dormir na sua cama que atire a primeira pedra não sabe o que quanto é bom ter um bebê ali pertinho. “Oh, é errado”, dirão as adestradoras de bebês super nannys da vida. Não acho que seja questão de certo ou errado, mas do que você quer ou não para seu filho. 

Quem um dia instituiu que bebê tem que dormir no berço? Aliás, quem criou o berço? Me parece muito claro que, assim como outros aspectos da nossa sociedade, o “dormir no quarto ao lado” está ligado à uma questão cultural, muito mais do que fisiológica. Para mim, fazer ou não cama compartilhada, como em muitos outros assuntos ligados à maternidade, é uma escolha pessoal. Eu, antes de tudo, tenho que gostar de ter a filha por perto. Como divido a cama com o marido, ele também tem que querer a menina ali. A partir daí, outros assuntos entram em pauta...

Um dos argumentos mais usados para quem é contra a cama compartilhada é a questão da segurança: pais podem esmagar os filhos, crianças podem ter morte súbita. Concordo, por isso nos atemos a alguns cuidados, como não cobrir a neném com cobertores ou lençóis, ou deixar outros itens na cama. Também já li que não é recomendável a prática para pais que estejam alcoolizados ou sob o efeito de drogas – meio óbvio, né?

Outra “contra-indicação” é de que atrapalha o casamento, a relação do casal. Bom, não to aqui pra me meter na vida pessoal de ninguém, cada casal sabe de si... mas limitar o bom andamento do casamento ao dormir ou não com o filho, acho estranho. Até porque casamento não se faz só de sexo (e sexo não se faz só à noite na cama). Eu pelo menos me sinto completa e o coração transborda quando estou deitada com os dois juntos - marido e filha. É uma sensação única, do tipo "não preciso de mais nada na vida". 

É mais ou menos aquele lance de que não pode pegar criança no colo, sabe? Por que não? Se minha filha quer carinho e afeto, por que tenho que deixá-la no carrinho/cercado/chão? Já ouvi muito que minha bebê teria "colite", por excesso de colo. Achei o termo pitoresco, mas não concordo. A vida já é muito dura por aí. Quando a gente cresce, tem que lidar com um mundo cada vez mais selvagem, sem tolerância. Na infância eu quero mais que minha filha seja confortada por mim - e sinta que eu sou um porto-seguro pra ela. Por isso, carreguei muito no colo e no sling (ainda carrego, embora o peso seja um pouco maior, é bem verdade). E durmo junto o quanto posso, só pra sentir o cheirinho perto, pra fazer carinho, pra conversar ao pé do ouvido... um dia ela cresce e voa...  

*o título deste post é só uma brincadeira, não tem nada a ver com o filme "Sleeping with the Enemy", de Julia Roberts.

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