Uma das lembranças mais fortes (e
carinhosas) que eu tenho do meu vô materno Wilson é o jeito que ele “pedia” o almoço.
Ele sentava na mesa (que muitas vezes já tinha seu prato prontinho, feito pela
minha vó) e dizia “Ô Íris”, batendo o dedo indicador no copo. Era a senha pra
minha vó servir o suco...
Fora de contexto a cena é
absolutamente machista, mas como eu a via “de dentro”, sei que era apenas uma
forma de viver de um casal que se apaixonou na primeira metade do século XX,
quando as coisas, na grande maioria das casas, eram assim mesmo – o papel da mulher
era servir ao marido e filhos, enquanto o do homem, ser o provedor (que, ao meu
ver, não significava falta de amor e carinho, apenas uma maneira contida de expressá-los).
O que me espanta de verdade é
que, pra muita gente, esse modus operandi
familiar ainda seja válido e normal. Graças aos céus aqui em casa a coisa é
BEEEEM diferente. O pai aqui é PAIticipativo. Sempre compartilhou comigo essa louca maravilhosa aventura de criar a Nina. E isso inclui passar noite em claro,
trocar fralda, dar banho, sair pra passear, dar comida, botar pra dormir... enfim,
viver de perto a paternidade.
Ainda sob parâmetros da relação “antiga”
que meus avós viveram, cresci ouvindo que meu vô “botava ordem” na casa apenas
com o olhar (baiano, veio pra São Paulo jovenzinho e aprendeu sozinho a ser
virar. No quartel conheceu os irmãos da minha vó, para então se apaixonar pela
caçula da família...). Minha mãe e tias não podiam contenstar ordens e a relação
era bem verticalizada.
Em mais um quesito, percebo que as coisas mudaram: em casa, desde sempre, o pai conversa com a filha (papos hilários, algumas vezes, é bem verdade). Tem hora que eu, como boa mãecarrasca, até digo “isso não é
pra negociar, ela tem que fazer e ponto”, de tanto que o diálogo se prolonga. Assim como é o André, percebo outros pais na mesma vertente. Gente que entende que educar é participar - dar amor, carinho, colo. E pra fazer parte, tem que estar ali.
Em mais um quesito, percebo que as coisas mudaram: em casa, desde sempre, o pai conversa com a filha (papos hilários, algumas vezes, é bem verdade). Tem hora que eu, como boa mãe
Perceba que em nenhum momento coloco a postura do André como uma ajuda - porque se eu pensasse que ele me "ajuda" com a pequena, estaria partindo do princípio que a função de educá-la é só minha e ele dá uma mãozinha. Vejo que encarar as coisas claras assim é um grande passo para mulheres - que não conseguem delegar e se sentem sobrecarregadas - aprenderem a exercitar o "fazer do outro"
E, no fundo, quem sai ganhando por participar ativamente da vida da filha – além da Nina, é óbvio – é o próprio pai. Porque é pra ele que vão os beijos apaixonados no reencontro do fim do dia, ou os abraços calorosos de saudades. Inclusive, a primeira palavra que a Nina falou foi papai, mas não espalha...
| pai e filha: paixão mútua |
*Este post faz parte da Blogagem Coletiva proposta pela Rede Mulher e Mãe para o Dia dos Pais 2012. Clique aqui e leia outras histórias participantes!

