31 de ago de 2012

Reciclagem - lixo, arte e cidadania


Outro dia me encantei com um garotinho de uns 5 anos no Sesc Pompeia, que segurava uma lata de refrigerante na mão e perguntava pra balconista “onde posso descartar o alumínio”? Fiquei pensando nas grandes mudanças que as crianças de hoje podem promover no mundo - e na forma de usá-lo – por terem contato, desde cedo, com conceitos e iniciativas de reciclagem e sustentabilidade.

Aí que esta semana conheci outro trabalho encantador que também envolve reciclagem: produtos à base de TERA®. Exclusividade da empresa Confetti, as chapas de TERA® são feitas de material 100% reciclado pós-consumo, proveniente da reciclagem de embalagens Tetra Pak®. Além da empresa desenvolver a tecnologia para a criação das chapas, o produto final da linha Eco ainda recebe os traços charmosos da arquiteta Silvia Slinger Rettmann - são produtos de escritório e papelaria super fofos, daqueles que a gente quer todos! 

Como mãe de uma bebê (eu sei... que logo, logo, vai pedir o caderno da princesa! rs) acho importante oferecer opções 'diferentes' de consumo, como produtos reciclados que contribuem com ações de sustentabilidade. Olhando para um caderninho tão charmoso a gente nem lembra que ele “já foi” uma caixa de leite (uma não! cada capa retira do meio ambiente 6 caixas de leite!).

Todo o processo só é possível porque nós, usuários, separamos as caixa usadas em casa - nosso lixo é a matéria-prima. Parte das caixas são entregues por cooperativas de catadores, o que favorece uma economia solidária. Fora os cadernos convencionais, a empresa também tem sacolas retornáveis, cadernos de música e jogo americano, tudo de muito bom gosto, qualidade e produzido com o material reciclado: 

Cadernos, bolsas e jogo americano que já foram caixas de leite, suco... #confetti

E o assunto reciclagem ganhou mesmo a semana aqui em casa. Depois da Confetti, tive contato com um projeto de reuso de outro tipo de lixo: o eletrônico.  Fui a um evento de trabalho e conheci a turma do Cedir (Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática), da USP.

Quando participei do programa Almanaque Educação, da TV Cultura, gravamos uma matéria sobre a reprocessamento de lixo eletrônico em numa empresa de Suzano (Grande São Paulo) que transformava celulares, computadores e pilhas em matéria-prima (tintas e corantes). No Cedir, o material descartado é recondicionado e emprestado para entidades carentes, num projeto de inclusão social digital - é emprestado porque quando o material não serve mais, o próprio Cedir os substituem, para evitar que as entidades façam o descarte no lixo comum.

Se você tem em casa aparelhos eletrônicos e não sabe o que fazer com eles, o Cedir aceita o descarte (só de pessoas físicas!). Basta agendar a entrega pelos telefones 3091-6454, 3091-6455 ou 3091-6456 ou via e-mail: consulta@usp.br. O horário de atendimento é de segunda à sexta-feira, das 8h00 às 18h00.

E você, o que faz em casa para promover e estimular a reciclagem e a sustentabilidade em casa?

Conheci os produtos a base de TERA® durante visita ao estande da Confeti na Office Paper  Escolar, a convite da empresa (obrigada Helena, fiquei encantada com o material!).

23 de ago de 2012

2 anos de Nina!


O Gon Navarrete, um amigo querido, sempre brinca que o casal só volta a ter um pouco de dignidade quando o filho chega aos 2 anos “antes disso é só demanda, trampo...”. Confesso que achava isso um grande exagero – até virar mãe.  

Claro: ter um bebezinho nos braços é uma das sensações mais incríveis do mundo – se não, a mais! Por outro lado, no começo, a gente fica à mercê de cuidar daquela belezura o tempo todo. É um ciclo que não dá trégua: alimentar, trocar, amar, alimentar, fazer dormir, amar, alimentar, limpar, amar... no meio disso tudo, tem ainda todos os medos e inseguranças de pais de primeira viagem e as adaptações – a gente deixa de ser um casal pra “virar uma família de verdade”!

Mas, como o tempo é “um senhor tão bonito”, a vida caminha a passos largos. E hoje, no dia em que a Nina completa 2 aninhos, minha vida já tem muito mais que “dignidade”: tem amor intenso e verdadeiro, tem alegria que transborda nos olhos de ver a pequena tão graciosa e esperta, e tem também a certeza de que nunca há certeza na maternidade, mas que sou responsável pelas minhas escolhas.

Filha querida, obrigada por, ao longo desses 2 anos, nos ensinar tanto... realmente, com você, meus olhos enxergam o mundo com amor infinito!  

Oração do Tempo (tempo, tempo, tempo) 

És um senhor tão bonito 
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo 
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo
Compositor de destinos 
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo 
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo
Por seres tão inventivo 
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo 
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo
Que sejas ainda mais vivo 
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que eu te digo
Tempo tempo tempo tempo
Peço-te o prazer legítimo 
E o movimento preciso 
Tempo tempo tempo tempo 
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definitivo
Tempo tempo tempo tempo 
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo
O que usaremos pra isso 
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo
E quando eu tiver saído 
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo 
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo
Ainda assim acredito 
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo 
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo
Portanto peço-te aquilo 
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo 
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo

8 de ago de 2012

O pai que ele é (blogagem coletiva*)

Uma das lembranças mais fortes (e carinhosas) que eu tenho do meu vô materno Wilson é o jeito que ele “pedia” o almoço. Ele sentava na mesa (que muitas vezes já tinha seu prato prontinho, feito pela minha vó) e dizia “Ô Íris”, batendo o dedo indicador no copo. Era a senha pra minha vó servir o suco...

Fora de contexto a cena é absolutamente machista, mas como eu a via “de dentro”, sei que era apenas uma forma de viver de um casal que se apaixonou na primeira metade do século XX, quando as coisas, na grande maioria das casas, eram assim mesmo – o papel da mulher era servir ao marido e filhos, enquanto o do homem, ser o provedor (que, ao meu ver, não significava falta de amor e carinho, apenas uma maneira contida de expressá-los).

O que me espanta de verdade é que, pra muita gente, esse modus operandi familiar ainda seja válido e normal. Graças aos céus aqui em casa a coisa é BEEEEM diferente. O pai aqui é PAIticipativo. Sempre compartilhou comigo essa louca maravilhosa aventura de criar a Nina. E isso inclui passar noite em claro, trocar fralda, dar banho, sair pra passear, dar comida, botar pra dormir... enfim, viver de perto a paternidade.

Ainda sob parâmetros da relação “antiga” que meus avós viveram, cresci ouvindo que meu vô “botava ordem” na casa apenas com o olhar (baiano, veio pra São Paulo jovenzinho e aprendeu sozinho a ser virar. No quartel conheceu os irmãos da minha vó, para então se apaixonar pela caçula da família...). Minha mãe e tias não podiam contenstar ordens e a relação era bem verticalizada.

Em mais um quesito, percebo que as coisas mudaram: em casa, desde sempre, o pai conversa com a filha (papos hilários, algumas vezes, é bem verdade). Tem hora que eu, como boa mãe carrasca, até digo “isso não é pra negociar, ela tem que fazer e ponto”, de tanto que o diálogo se prolonga. Assim como é o André, percebo outros pais na mesma vertente. Gente que entende que educar é participar - dar amor, carinho, colo. E pra fazer parte, tem que estar ali. 

Perceba que em nenhum momento coloco a postura do André como uma ajuda - porque se eu pensasse que ele me "ajuda" com a pequena, estaria partindo do princípio que a função de educá-la é só minha e ele dá uma mãozinha. Vejo que encarar as coisas claras assim é um grande passo para mulheres - que não conseguem delegar e se sentem sobrecarregadas - aprenderem a exercitar o "fazer do outro" tipo eu. Vale lembrar que isso também envolve aceitar como o outro faz as coisas (lema de vida: desapega! - e deixa o pai fazer a chiquinha mais torta do mundo na cabeça da menina!).

E, no fundo, quem sai ganhando por participar ativamente da vida da filha – além da Nina, é óbvio – é o próprio pai. Porque é pra ele que vão os beijos apaixonados no reencontro do fim do dia, ou os abraços calorosos de saudades. Inclusive, a primeira palavra que a Nina falou foi papai, mas não espalha...  

pai e filha: paixão mútua 
E na sua casa, como é a relação dos pais e filhos?

*Este post faz parte da Blogagem Coletiva proposta pela Rede Mulher e Mãe para o Dia dos Pais 2012. Clique aqui e leia outras histórias participantes! 

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