28 de fev de 2012

A menina atropelada pelo jet ski (ou sobre como educar filhos)

Enquanto rolava animado o feriadão de carnaval, uma mãe viu a filha morrer na sua frente, e nada pode fazer para impedir. Cirleide Lames brincava com a pequena Grazielly numa praia de Bertioga (SP), quando um jet ski desgovernado atropelou a menina.

A história, já triste, ficou pior quando veio à tona que quem guiava o veículo era um menor de idade, de 13 anos. "Ele apenas deu a partida", disse o advogado de defesa, como se a justificativa fosse suficiente para eximir a culpa do garoto e dos irresponsáveis ou fosse mudar a trágica situação. 

Quando vi a notícia do acidente, fiquei muito triste pela mãe (e a família) da Grazielly. A menina, que não conhecia o mar, teve sua vida tirada à força à beira dele. Olhava para a Nina tão serelepe perto de mim e não conseguia imaginar o tamanho da dor daquela mulher.  

Mas, pior que isso foi a tristeza de ver como agiram os padrinhos do menino, que fugiram sem prestar socorro ou esperar por alguma notícia da garotinha. E aí, senti dó. Dó mesmo. Coitado desse menino: fez burrada e teve ainda mais azar de ter padrinhos que ensinam que fugir é o melhor caminho. Teria sido o encaminhamento dado pelos pais? Não sei, não posso afirmar. Só sei que sair dali correndo, sem assumir seus atos, é uma maneira muito triste de encarar a vida. Um adolescente que dirige liga um jet ski numa praia movimentada tem que saber que pode ferir alguém. E se ferir, tem que assumir.

Eu amo demais minha filha e estarei sempre ao lado dela. Mas amar incondicionalmente não significa passar a mão na cabeça o tempo todo, nem deixar de mostrar que cada ação que a gente faz na vida tem uma consequência. Não estou dizendo que é fácil educar. Minha Nina tem 1 ano e meio e já passamos por momentos de não saber como agir, mesmo ela sendo tão novinha (imaginem na adolescência...).

Quais são os parâmetros entre o amor X criar com responsabilidade? Quando a gente perde a mão e acaba sendo muito permissivo? Não, não tenho essas respostas. Mas é por atitudes como a que tomaram os que deveriam "cuidar" do adolescente que vivemos num mundo tão cinza. 

foto: Stock.xchng


23 de fev de 2012

Conexão barriga-coração

Pra "começar" o ano (já que dizem que as coisas por aqui só funcionam depois do carnaval!), uma imagem linda que vi no mural do Facebook da Alita Mariah, mãe do Érico, e que mostra com delicadeza como é a relação mãe-filho. O desenho foi publicado pela organização Ganom, "um espaço dedicado ao despertar da consciência na gestação, no parto e na chegada do novo ser ao mundo e seus cuidados no aleitamento e no pós parto". A foto teve a seguinte descrição, ainda mais linda: "A gestante deve despertar para consciência de que o bebê sempre está conectado ao seu sentir através do coração." (Ana Prem). 

Quem tem filho sabe que, a cada mexer na barriga, a gente já sente o coração mais feliz. E essa é uma sensação só da mãe - por mais que o pai seja super pai, por mais que haja apoio da família, por mais que qualquer outra coisa... a barriga de uma grávida é especial porque ali dentro, acomodado, é gerado um ser único...

Dedico o post de hoje à Marcelinha, que dará à luz Catarina, já conhecida como a Batatinha mais charmosa da cidade. E também às queridas Cassia, mãe do Almeidinha, Virgínia, mãe do (a) irmão (ã) mais novo (a) da Gabi, Vania, mãe do baby 2 e à própria Alita. Todas grávidas, queridas e iluminadas.

Atualização: Dedicado também à Ana Carol Garcia, que fiquei sabendo hoje que está gravidíssima!!!! 

Fonte da imagem: Ganom (retirada da internet)

Em tempo: hoje (23/02) Ninoca Pipoca faz 1 ano e meio. Parece que foi ontem, e também parece que faz muuuito tempo. E acima de tudo, parece que sempre existiu...

10 de fev de 2012

O fraldário nosso de cada dia

Engraçado como tem muita coisa que a gente simplesmente nem percebe que existe  (ou não dá o devido valor) quando não é mãe. Eu diria que fraldário está na lista dos assuntos mais importantes deste universo tão particular da maternidade.  Se eu tivesse que avaliar os lugares por aí, só ganhariam 5 estrelas no meu 'guia materno de sobrevivência' os que oferecem fraldários decentes. Claro que a prática nos leva à perfeição e ninguém morre se não tiver um fraldário por perto – conhece a habilidade de trocar fralda com número 2 em pé?... #quemnunca - mas que ajuda, ajuda!!!

Pra 'começar do começo': pais também trocam fraldas. Pode até não ser o mais comum e usual (ainda tem homem que acha que só a mãe tem que cuidar do filho), mas tá assim ó de pai-homem-moderno-participativo-as-mães-agradecem. Tem também aquelas situações em que o pai saiu sozinho com a cria,  pais solteiros, viúvos, gays... enfim, tudo isso pra deixar claro: fraldário NÃO PODE estar vinculado só ao banheiro feminino.

Também não dá pra colocar o bebê em qualquer superfície reta e dizer que é um fraldário. Não sei se todo mundo sabe, mas bebês têm vida própria. Eles se mexem, são curiosos, querem ver o mundo ao redor... então o fraldário tem que ter o mínimo de segurança para que, durante a maravilhosa tarefa de trocar a fralda, a gente não tenha que ser preocupar se a criaturinha vai cair/bater a cabeça/enfiar a mão na tomada...

Bom, mas eis que semana passada a Nina estava febril, só querendo colo. Foram 4 dias batendo os 39,6º C, vivendo a base de antitérmico. No domingo, como ela acordou um pouco melhor, fui  ao shopping Bourbon, na zona oeste, almoçar e passar no supermercado. Depois de tomar antitérmico ali mesmo (sim, a febre voltou fortíssima durante o passeio), ela melhorou, saiu do colo e começou a fazer zueira brincar.

Tudo ia bem na minha vida de família-de-paulista-que-vai-em-shopping-de-domingo.  Até que, enquanto efetuava uma compra, dei colo para a pequena. No momento em que tirava meu cartão de débito da mão da vendedora, senti algo quente na minha pele. A sensação foi literalmente escorrendo pelos meus braços, chegando às minhas pernas. Vivi segundos de desespero. Sim, era número 2 transbordando pela fralda. Uma luz começou a piscar na minha cabeça, e só pensei em correr para o fraldário.

Pra quem achou que eu tava supervalorizando "um simples local onde se troca fralda suja", entende agora a sorte de estar num lugar que oferece (bem) esse serviço? No fraldário tinha água quente, sabonete líquido infantil e, acima de tudo, uma pessoa muito solícita que quis me ajudar (além da minha mãe, que também estava no passeio). Como o coco era muito, a Renata (nunca mais esquecerei de você, minha anja!) sugeriu que eu desse um banho na Nina, na pia mesmo. Foi a sorte, pois do contrário ia ficar uma meleca maior do que já estava. Também usei a água quente pra lavar a roupinha (tirar o mais caótico, porque depois tive que higienizar lavar de novo em casa) e me limpar também. Como vocês podem ver, a Nina adorou o banho - já eu, me contentei com um paninho mesmo, acho que ficaria difícil a logística de sentar na pia, né?

Além do shopping Bourbon, quem mais conhece lugares legais com fraldário bacana? Livraria, teatro, cinema, restaurante, shopping... vamos postar outras dicas nos comentários? As mães, com certeza, agradecem!

Ninoca tomando banho de pia no shopping Bourbon-SP: tudo sempre acaba em farra, né?

1 de fev de 2012

A culpa de ser mãe

Hoje eu acordei assim, cabisbaixa, mãos no bolso, chutando pedrinha na calçada*. Ser mãe é maravilhoso, mas também cansa. Não sei vocês, mas não fui criada para ser mãe full time - quiçá pra ser mãe. Sou daquelas que saiu de casa pra fazer faculdade, depois foi morar fora do país e achou que tinha o mundo nas mãos. Aí, quando se viu grávida, e depois, com uma bebê no colo, se desesperou. Se viu sozinha, perdida, sem saber o que fazer (mesmo tendo um namorido muito fofo ao lado).

Sempre falo: nada do que eu fiz até hoje na vida se compara à maternidade. Nada. Ser a mãe da Nina me põe à prova o tempo todo, com meus limites, minhas convicções, minha flexibilidade, meu poder de redimensionar (eu até já disse por aqui que praticamente surtei...). E sou imensamente feliz e grata por isso. Mas nem tudo são flores (aliás, de quem é essa frase?!).

Além do cansaço, tem a culpa. Por deixá-la longe, por deixar de fazer outra coisa para estar perto, por eu ser assim, por... enfim, dependendo do dia e humor, uma culpa diferente. Quase um bullying de mim comigo mesma. 

Por sorte, tenho uma pequena linda, que apesar de ser "apenas" uma bebê, parece saber como me lembrar do que vale a pena nesta vida. A cena foi tocante: enquanto eu chorava no carro, ela segurou com firmeza minhas mãos e abriu um sorriso lindo... 

"seus filhos não são seus filhos, seus filhos são filhos do mundo" (Gibran Kalil)


*by Luciana Moraes, a melhor cunhada torta que alguém poderia ter/querer na vida!

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