30 de mar de 2012

Medidinha Certa (ou "como vemos a educação alimentar infantil?")

Na Língua Portuguesa, os prefixos aparecem antes das palavras para transformar o sentido do radical. No caso do prefixo "re", ele serve para marcar a repetição ("recarregar", ou seja carregar novamente), para reforçar (como em "revigorar", aumentar o vigor) e como retrocesso ou recuo ("reiniciar", voltar ao início). De uns tempos pra cá, um uso bastante difundido deste prefixo é o da reeducação alimentar, um novo jeito de ensinar as pessoas a comerem. Bom, se as pessoas têm que reaprender a comer, a gente parte do princípio de que elas aprenderam da forma errada, né? E aí é que vem todo o xis da questão: como pais, qual a nossa responsabilidade na educação alimentar dos nossos filhos? Quais são os fatores que interferem diretamente nessa educação? 

Eu já escrevi aqui como nossos hábitos são espelhos pros nossos filhos, e a cada dia tenho ainda mais certeza da influência diária da nossa postura. Acredito também que o que a criançada pede e quer comer tem a ver com o que recebem de incentivo dos inúmeros comerciais de TV, inclusive em canais de programação infantil - bombardeios covardes de puro consumo em um público que ainda não tem discernimento para se defender (pra quem discorda da relação TV x consumo infantil, vale uma olhada no vídeo Criança, a alma do negócio, da diretora Estella Renner, ou nas ações e discussões propostas pelo projeto Criança e Consumo, do instituto Alana).  

A TV, aliás, tem outra "função" para além dos comerciais, desenhos agressivos e etc... na formação das  nossas crianças. Numa nova dinâmica social, muitos de nossos filhos não têm a chance de crescer brincando nas ruas, empinando pipa, andando de bicicleta, brincando de corre-corre ou amarelinha... ou seja, deixam de realizar atividades saudáveis, para se manterem prostrados em frente aos televisores (computadores, videogames, ou o que seja). Muitas vezes, "saboreando" o momento com guloseimas típicas do mundo moderno: bolachas recheadas, chocolates, salgadinhos... tudo muito "prático". 

Claro que é muito difícil criar um filho numa bolha e não deixá-lo comer isso ou aquilo (isso pros maiores, porque com bebês dá, sim). Também não sou radical em achar que criança não pode ver TV de jeito nenhum (sou praticante do "caminho do meio", sempre consciente das nossas ações). Ainda assim, tudo tem que ter limite. Não dá pra deixar que a TV sirva de babá eletrônica com filhos horas a fio em atividades sedentárias e querer crianças saudáveis! (e aí olha a armadilha: são essas mesmas crianças que depois, adolescentes, fazem apologia à anorexia para se sentirem aceitos, já que essa mesma mídia explora imagens de pessoas magras (magérrimas, por sinal) como sendo o único padrão de beleza possível). Enfim, é pano pra manga.  

Por isso fiquei feliz de saber que o programa dominical Fantástico levará ao ar, a partir deste domingo (01/04), a série "Medidinha Certa", a versão infantil de reeducação alimentar pela qual passaram Zeca Camargo e Renata Ceribelli, com  a supervisão do preparador físico Marcio Atalla. 


Quem acompanhou o desafio dos apresentadores viu que a ideia do quadro nunca foi buscar a magreza a qualquer preço, mas explicar o quanto uma alimentação saudável, aliada à prática constante de exercícios, faz toda a diferença pro bem-estar das pessoas - a perda de peso é consequência dessa postura. Nenhum dos dois apareceu magérrimo três meses depois, aliás, Ceribelli continua exibindo suas curvas reais e femininas no programa. A página oficial do Medidinha Certa de cara nos alerta sobre o aumento da obesidade infantil das crianças brasileiras, como diz Atalla: 
“Este é um tema urgente: três em cada dez crianças brasileiras têm problemas de sobrepeso e, nos últimos 20 anos, cresceu em 200% o número de crianças obesas no país”. 
Na verdade, é um problema quase crônico, que assombra boa parte das crianças no mundo. Para não ser considerado crônico, depende da nossa ação. Estamos falando aqui de mudanças de hábitos - nossos, dos nossos filhos, netos... O assunto obesidade, erroneamente só tachado por muitos como uma questão estética, é antes de tudo uma questão de saúde. Pode ser que o quadro do programa não seja unanimidade entre pais, educadores, nutricionistas & afins, mas ao meu ver levar o tema ao horário nobre já é um grande avanço. No mais, dá pra dar pitacos nas matérias pela internet. 

Ainda sobre alimentação infantil, indico dois sites que sigo e que gosto muito: Comer para Crescer, da Mônica Brandão e Patrícia Cerqueira, e o Crianças na Cozinha, da Pat Feldman. Tem também uma ação muito legal chamada Do Peito à Panela, da Fabíolla Duarte, que recentemente começou o trabalho Colher de Pau, um grupo de apoio semanal destinado à melhoria da alimentação familiar.

Em casa nunca compramos papinhas industrializadas (doces ou salgadas), e a introdução alimentar foi recheada de frutas, verduras e legumes. Depois de algumas bolachas de maizena, pra ficar coçando a gengiva quando ainda não tinha dentes, Nina come bolachas de aveia, mel, cacau... Yogurte, batemos o natural com mel com frutas (uma delícia!). Sucos, só naturais, sem açúcar (quando precisamos dar de caixinha, procuramos os "sem adição de açúcar") ou de soja. E assim vamos seguindo... se ela já comeu doces? Bom, ela vai pra escolinha, não tenho como ter 100% de controle, embora a gente peça para que não seja oferecido. Mas sei que, da nossa parte, entre erros e acertos, estamos fazendo o melhor, dentro do que nos é possível. 

Em tempo: uma amiga querida, a Caroline Cardozo, é uma das produtoras do quadro e isso  foi o que me incentivou a escrever o post de hoje. Depois, quem tiver críticas ou sugestões, pode postar aqui que repasso pra ela, com o maior prazer. 

20 de mar de 2012

Aula de interpretação para bebês

Não, não existe um curso específico para esse tipo de público apesar de tanto curso louco que inventam por aí pelo menos que eu saiba... até porque, acho que todo bebê entre 1 ano e meio e 2 e pouco não precisa de aula pra ser pura graciosidade: imita sons, inventa sorrisos e piscadas... tudo para deixar qualquer um babando pela cria. E é engraçado como, a cada dia, vem um gesto diferente, uma brincadeira nova que nos surpreende.

No domingo estive com a Nina na Cinemateca aqui em SP e, depois de ver as fotos e desenhos de Marilyn Monroe (vai até dia 1º. de abril, #ficaadica), sentamos na área externa (deliciosa, por sinal) para brincar com as pedrinhas. Ela ficou levando pedra de um lado pro outro, conversando loucamente consigo mesma, num papo pra lá de animado na linguagem dos bebês. Depois, ao sentar na minha frente, resolveu fazer as caras e bocas.  

O que mais me chamou a atenção foi perceber que ela reage a um tipo de estímulo que uso em casa, principalmente quando ela faz alguma "bagunça". Sempre paro, olho e falo "meu deus do céu, Niiiina, e agora??", fazendo cara de espanto. Pois não é que a danadinha resolveu exercitar seus dotes dramáticos? Primeiro, em momento de alegria extrema, depois, num tom de espanto e medo... de morrer de rir! Como diz minha cunhada torta Lu, #murri. Detalhe para o taaaanto de Vitamina "S" que a menina ingeriu, heim? #anticorposfeelings

A graaaaande vantagem dos filhos é que, desde que nascem já são fofos de querer apertar até não poder mais. E passados os 2 anos e pouco, surgem outras fofurices, outro jeito de nos encantar. Ou seja, é sempre muita alegria, né? 


Com esta performance, Nina dá de 10 em muito ator por aí!!!  #ciganoigor 

14 de mar de 2012

Introducing... 9 meses de gravidez em 95 segundos!

Na hora em que se descobre uma gravidez, muitas coisas passam pela nossa cabeça... entre elas, sem dúvida, como registrar esse momento tão especial. Confesso que fui um tanto relapsa durante os 9 meses em si, quase não tirei fotos, deixei a correria do trabalho me consumir e fazer o tempo passar rápido demais... acho que também um pouco porque na gravidez ainda não tinha "caído a ficha" - este blog mesmo, nasceu pouco antes da chegada da Nina.  

Enfim, o fato é que tem mãe que faz diário (de papel ou virtual), tem mãe que faz ensaios fotográficos mensais... e tem casal que, num poder de síntese peculiar sob um olhar delicado, usa do recurso audiovisual de stopmotion para registrar os 9 meses de gestação em um vídeo de... 95 segundos. Simples e tocante, como vocês podem ver abaixo (a dica foi da amiga Helena Jacob, mãe do Pedro, que viu o vídeo nesta matéria do site da Crescer).  Eu amei!!!



13 de mar de 2012

Eu tenho medo de morrer

No começo deste ano, duas partidas me fizeram pensar demais. Uma foi do colega de profissão Daniel Piza e a outra, do filho da minha madrinha, primo de coração, Alexandre. Ambos jovens, saudáveis, com 40 e poucos anos. Os dois tiveram mortes abruptas, daquelas que quando você fica sabendo, não consegue acreditar. Nenhuma morte é "boa", pelo menos pra quem fica. Mas quando a pessoa já tem mais idade ou está sofrendo demais com uma doença, parece que a gente se conforma mais rápido - mesmo que a dor seja igualmente sentida em qualquer caso. 

Acontece que, depois que a Nina nasceu, tenho sentido muito medo de morrer. Não, não é nada patológico, não estou sofrendo de crise de pânico nem nada. Mas tem momentos que meu coração se enche de tanta ternura ao vê-la brincar, sorrir ou até dormir, que sinto que queria ter vida "eterna" pra poder estar sempre junto, ali, do lado, vendo cada conquista, cada passinho. 

Paralelo a isso, acho que rola a sensação de estar ficando 'velha'. Ok, minha vó vai fazer 93 anos em outubro e ela sim é velhinha (bem assentada, diga-se de passagem). Mas eu farei 36 no mesmo mês e aí, quando vejo gente jovem partindo, é inevitável a comparação "e se fosse eu"... Dia desses, falei sério com a Fer, uma amiga de trabalho. Porque me dei conta que o André estava viajando e, se acontecesse algo comigo, não teria ninguém para buscar a Nina no berçário. Claro que rimos juntas, mas percebo o quanto a maternidade mexeu comigo. 

Eu sei que ninguém é insubstituível (#sóumadendo: no campo profissional, muita gente se esquece disso e deixa a vida passar enquanto se mata pra crescer na carreira... pra que, minha gente?). Sei que a vida segue, seja como for, do jeito que for. E só isso já faz com que meu medo de morrer se transforme numa vontade imensa de viver bem e buscar, a cada dia, aproveitar cada minuto com a Nina. Mas, tem dias que acordo assim, com medo. Será que é só comigo?

eu é que não quero perder a chance de curtir com esses dois lindos aí, né? 


6 de mar de 2012

Vida após às 21h (ou "além de mãe"...)

Enquanto eu trabalho fora, a Nina vai pro berçário (lembram do drama?). Aí, quando vou buscá-la (morrendo de saudades), dedico todo o meu tempo pra minha pequenina. Juntas brincamos, lemos, cantamos no banho, fazemos bagunça no jantar, dançamos Backyardigans (essa parte o papai também participa e adora!) até que, enfim, Nina dorme 'o soninho dos justos'. É só depois que ela capota que consigo tomar banho, que acesso a internet, que leio as coisas bacanas que vi durante o dia, visito os blogs das amigas, que ligo pra alguém pra papear (essa parte faço pouco, é verdade)...  enfim, que vou "cuidar da vida", como dizem (isso quando eu não durmo junto com ela... ahhhh, adoro dormir antes das 20h!).

Aí que hoje eu li no Facebook um comentário da querida Milena, mãe do João Pedro, que achei muito sincero: a felicidade de poder trabalhar enquanto o bebê fica no berçário. Pois bem, é isso. Tem mãe que precisa de um tempo pra si, pra poder ser mãe. #soudessas. EU preciso respirar um pouco, pra voltar pra casa cheia de saudades e morrendo de vontade de deitar no tapete e fazer bagunça com a minha filha. Isso vai muito além da questão financeira (que também é importante pra mim, claro). 

Tem mulheres que param de trabalhar para cuidar dos filhos full time. Admiro, e muito. Mas pra mim, não rola. Preciso ver gente, conversar, espairecer, expandir. Claro que minha filha virou prioridade total, e por causa disso, mudei totalmente o ritmo de vida após seu nascimento. Ainda que eu mude ainda mais (olha o sonho do home office, aí, gente!), preciso ter meu tempo, meus sonhos, minha vida "além de mãe".

É aquela velha história sobre o que vale mais: menos horas com muita dedicação e disponibilidade ou ficar o tempo todo junto, dividindo a atenção (e paciência) com 'todo o resto'? 

perto ou longe, #amordemãe é tudo!

2 de mar de 2012

Papinha com gostinho especial...

Outro dia acompanhei a reunião de pauta do Portal R7 na Twitcam e sugeri uma pauta sobre papinhas. Foi bem na semana em que saiu a matéria da pesquisa britânica sobre bebês que comem de colher e a relação com a obesidade

Ontem, via twitter, recebi a resposta do R7, com uma matéria sobre como fazer a 1a. papinha do bebê. Achei uma delicadeza por parte da Mari, editora de Receitas e Dietas, afinal, sei como é corrido o dia a dia do portal e a quantidade de pautas que eles têm que produzir. 

A matéria teve também um gostinho especial (opa, papinha, gostinho especial, sacou?? rs) pois trabalhei na equipe do R7 por 2 anos. Entrei antes mesmo do portal estrear e fiz parte do mutirão para colocá-lo no ar (foi uma ótima experiência, ao lado de muita gente querida). A Nina, inclusive, é a 1a. bebê da equipe, já que fui a primeira dali a engravidar!!! 

Daí que, para quem quiser sugerir outras matérias, eles sempre avisam no twitter quando estão em reunião online. Basta acessar e mandar sugestões. Não há uma editoria específica para bebês, mas tem muita coisa bacana também na editoria de Saúde, como várias das matérias da Camila Neumam.  

olha a @ninaensina colaborando com o r7! ;)

Em geral, os bebês começam a introdução de alimentos aos 6 meses (embora, como tudo relacionado a eles, não há uma regra cronológica, vai de criança pra criança - e de família pra família). Aqui em casa a gente optou por deixar a Nina se lambuzar com alimentos na mão, também oferecendo com colher. Papinha sempre foi feita em casa, nunca usei aquelas prontas (fossem salgadas ou doces). Na hora de sair, levava a papinha em potinhos na bolsinha térmica, se precisasse pedia pra esquentar. Hoje, com 1 ano e meio, Nina já tenta comer sozinha de talher... ainda não consegue, mas se diverte muito. 

No mais, já que o assunto é papinha, que outros blogs legais sobre alimentação infantil vocês seguem? Vamos fazer uma lista nos comentários com indicações bacanas? Nossos bebês agradecem! ;)

obs. pra fechar, segue abaixo um vídeo que adoro do Palavra Cantada, da música "Fome Come". As batidas são muito dançantes e a letra, muito divertida: 



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