8 de ago de 2012

O pai que ele é (blogagem coletiva*)

Uma das lembranças mais fortes (e carinhosas) que eu tenho do meu vô materno Wilson é o jeito que ele “pedia” o almoço. Ele sentava na mesa (que muitas vezes já tinha seu prato prontinho, feito pela minha vó) e dizia “Ô Íris”, batendo o dedo indicador no copo. Era a senha pra minha vó servir o suco...

Fora de contexto a cena é absolutamente machista, mas como eu a via “de dentro”, sei que era apenas uma forma de viver de um casal que se apaixonou na primeira metade do século XX, quando as coisas, na grande maioria das casas, eram assim mesmo – o papel da mulher era servir ao marido e filhos, enquanto o do homem, ser o provedor (que, ao meu ver, não significava falta de amor e carinho, apenas uma maneira contida de expressá-los).

O que me espanta de verdade é que, pra muita gente, esse modus operandi familiar ainda seja válido e normal. Graças aos céus aqui em casa a coisa é BEEEEM diferente. O pai aqui é PAIticipativo. Sempre compartilhou comigo essa louca maravilhosa aventura de criar a Nina. E isso inclui passar noite em claro, trocar fralda, dar banho, sair pra passear, dar comida, botar pra dormir... enfim, viver de perto a paternidade.

Ainda sob parâmetros da relação “antiga” que meus avós viveram, cresci ouvindo que meu vô “botava ordem” na casa apenas com o olhar (baiano, veio pra São Paulo jovenzinho e aprendeu sozinho a ser virar. No quartel conheceu os irmãos da minha vó, para então se apaixonar pela caçula da família...). Minha mãe e tias não podiam contenstar ordens e a relação era bem verticalizada.

Em mais um quesito, percebo que as coisas mudaram: em casa, desde sempre, o pai conversa com a filha (papos hilários, algumas vezes, é bem verdade). Tem hora que eu, como boa mãe carrasca, até digo “isso não é pra negociar, ela tem que fazer e ponto”, de tanto que o diálogo se prolonga. Assim como é o André, percebo outros pais na mesma vertente. Gente que entende que educar é participar - dar amor, carinho, colo. E pra fazer parte, tem que estar ali. 

Perceba que em nenhum momento coloco a postura do André como uma ajuda - porque se eu pensasse que ele me "ajuda" com a pequena, estaria partindo do princípio que a função de educá-la é só minha e ele dá uma mãozinha. Vejo que encarar as coisas claras assim é um grande passo para mulheres - que não conseguem delegar e se sentem sobrecarregadas - aprenderem a exercitar o "fazer do outro" tipo eu. Vale lembrar que isso também envolve aceitar como o outro faz as coisas (lema de vida: desapega! - e deixa o pai fazer a chiquinha mais torta do mundo na cabeça da menina!).

E, no fundo, quem sai ganhando por participar ativamente da vida da filha – além da Nina, é óbvio – é o próprio pai. Porque é pra ele que vão os beijos apaixonados no reencontro do fim do dia, ou os abraços calorosos de saudades. Inclusive, a primeira palavra que a Nina falou foi papai, mas não espalha...  

pai e filha: paixão mútua 
E na sua casa, como é a relação dos pais e filhos?

*Este post faz parte da Blogagem Coletiva proposta pela Rede Mulher e Mãe para o Dia dos Pais 2012. Clique aqui e leia outras histórias participantes! 

9 comentários:

  1. Hahahahaha...aqui tbm falou primeiro pai,é um xodó.A Nina é muito linda,o pai tem mesmo que babar muiiiiito,esse laço de amor que se constroi dia a dia,isso vai refletir lá na frente,se sentir amado é muito importante p/ as crianças.
    bjs
    #amigacomenta

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  2. Acho que isso mudou, os pais hj são diferentes, nem todos claro, mais uma parte quer vivenciar a paternidade de outra forma.
    Meu marido é assim como o seu, eu fico como a carrasca tb algumas vezes kkkk fazer o quê alguém têm que ser rsrsrs
    #amigacomenta

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  3. Por aqui temos um pai aprendendo a ser pai mas que já é super! Que bom que André e Nina têm essa cumplicidade maravilhosa. Isso marca a vida da gente né! Bj
    #amigacomenta

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  4. Percebo uma mudança geral, tem pai que faz questão de ser presente e até briga pelo seu espaço nos cuidados com a cria! Acho isso ótimo!! Também o verbo PAIticpar, escrevi um post ano passado sobre isso. E pra mim só pai que participa é que pode bater no peito e dizer eu sou pai!! rsrsrsrs

    Beijão.
    #amigacomenta
    @_maejestade
    http://www.vidademaejestade.com/

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  5. Adorei a sua postura de não encarar como "ajuda" e sim como "participação". Acho que vou adotar isso também!!

    Parabéns pela família linda!!!

    Bjs
    Tati
    #amigacomenta

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  6. Que fofo!!!!
    acho o maximo marido/pai presente
    Parabens pela familia
    Bjusdddd
    #amigacomenta

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  7. Muito boa a sua colocação de que a participação do pai não é ajuda, concordo com você. ;)
    Adorei também o PAIticipativo, e a comparação que você fez da relação dos seus avós com a sua e do seu marido. Muito bom perceber essa evolução nas relações, né?
    Feliz dia dos pais para o seu marido!!!
    Beijos
    @LelisPaula

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  8. As Motherns têm um texto intitulado "O pai que não ajuda". Elas descrevem a maratona inteira de cuidados do pai com a criança e terminam: "lá em casa quem ajuda sou eu!" rsrs!!
    Feliz Dia do PAIticipativo!
    Beijos!
    Marusia
    http://maeperfeita.wordpress.com
    #amigacomenta

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  9. Oi Carol, a cena do seu avô materno me lembrou muito como é com o meu sogro.
    Aqui também o pai é bem participativo e está longe do exemplo do pai dele.
    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/
    #amigacomenta

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