4 de ago de 2011

Chico Buarque, Carolina mãe e Nina filha

Cresci ouvindo minha mãe dizer que sempre gostou da música Carolina, do Chico Buarque. Gosto da  melodia,  mas confesso que achava a letra um pouco triste. Me incomodava que o 'meu olhar' carregasse tanta dor assim, me sentia alegre e feliz demais para sofrer tanto...

Carolina

Carolina, nos seus olhos fundos guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei, que não vai dar, seu pranto não vai nada ajudar
Eu já convidei para dançar, é hora, já sei, de aproveitar


Lá fora, amor, uma rosa nasceu, todo mundo sambou, uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo, pela janela, ah que lindo
Mas Carolina não viu...

Carolina, nos seus olhos tristes, guarda tanto amor, o amor que já não existe,

Eu bem que avisei, vai acabar, de tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar, agora não sei como explicar


Lá fora, amor, uma rosa morreu, uma festa acabou, nosso barco partiu
Eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu.

Depois, já na adolescência, quando conheci de verdade o Chico - e mais um monte de gente boa da MPB, graças aos discos da minha mãe e da minha tia - entendi a beleza da letra (até por contextualizá-la na carreira do autor). E o Chico foi virando uma referência: os LPs da Philips, o programa Chico & Caetano da TV Globo, a fita K-7 de Paratodos... Quando ele lançou a turnê Carioca, em 2006, fui ao show com a minha mãe. Ela veio de Campinas só para isso. Foi muito emocionante, afinal de contas, nós estávamos vendo o Chico, né?

Aí que descobri que ele escreveu uma música chamada Nina para o novo disco dele. Nossa, pirei. Nina, minha filha que está prestes a completar 1 aninho dia 23, ganhou uma música daquele belo par de olhos azuis, em parceria com João Bosco. Fiquei pensando o que será que ela vai achar da letra quando lê-la e puder entender...

Talvez para ela Chico será "apenas" um cantor que usava uma gola rolê e fazia as meninas suspirarem - do século p-a-s-s-a-d-o, é claro. E quando souber que mamãe e vovó bombaram no show: vai achar legal, suuuper legal ou... bobo? Não sei, só sei que por ironia do destino ou coincidência, a canção foi escrita em 2010, ano em que a minha Nina nasceu...  

Nina

Nina diz que tem a pele cor de neve
E dois olhos negros como o breu
Nina diz que, embora nova
Por amores já chorou
Que nem viúva
Mas acabou, esqueceu

Nina adora viajar, mas não se atreve
Num país distante como o meu
Nina diz que fez meu mapa
E no céu o meu destino rapta
O seu

Nina diz que se quiser eu posso ver na tela
A cidade, o bairro, a chaminé da casa dela
Posso imaginar por dentro a casa
A roupa que ela usa, as mechas, a tiara
Posso até adivinhar a cara que ela faz
Quando me escreve

Nina anseia por me conhecer em breve
Me levar para a noite de Moscou
Sempre que esta valsa toca
Fecho os olhos, bebo alguma vodca
E vou



Abaixo, tem Chico e João Bosco conversando em um dos vídeos do projeto Chico Bastidores, parte do lançamento do CD Chico e, na segunda parte, ele canta a linda Nina. Pra morrer de emoção! <3 


Watch live streaming video from chicobastidores at livestream.com

6 comentários:

  1. escreve pra ele dizendo que ele escreveu uma música pra mãe e pra filha =)

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  2. Eita q me deu até arrupeio na espinha!
    Coisamaislinda esse Chico, viu?

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  3. será, Tatá? Vou ver se descolo alguém que tenha algum contato!
    Lu, eu morri de emoção tb... Chico, #seulindo
    ;)

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  4. Eu escutei o novo cd do tio chico através deste link: http://www.radio.uol.com.br/#/volume/chico-buarque/chico/22762

    Quando ouvi Nina fiquei encantada e guardei o link para mandar para ti (isso ocorreu há exato sete dias) pois só vinha a sua Nina em minha mente, eis que entro aqui e tenho essa surpresa. Adorei!

    Quanto ao tio chico, nem me atrevo tentar a destinar caracteres, afinal, sempre são em vão, pois nunca consigo.

    =]

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  5. oba, Mi, obrigada pelo link, vou ouvir tudinho!!! ;)

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  6. Carol,

    Nina é um nome belíssimo, me lembra uma boneca. Delicado, curto, sonoro.

    E sobre o Chico, olha, eu desconfio que daqui uns 20 anos o velho malandro continuará atual, como hoje. Talvez nossas mães pensassem a mesma coisa quando éramos bebês e aqueles belos olhos azuis desfilavam as golas rolês nos festivais. E hoje, não só babamos por ele, como vamos aos shows (eu também estive na turnê de Carioca, em São Paulo :).

    Mas, mesmo que no futuro ela ache o Chico um demodê, vai ser orgulhar em mostar pras amigas que tem uma música feita com seu nome, ah, isso vai!

    E o que importa se pra mãe é o que vale? Aposto que você se derreteu tudo, né não?!?!

    Beijos, querida!

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